segunda-feira, 6 de julho de 2009

Missão nos documentos da Igreja

No encerramento do Jubileu dos cristãos leigos, no ano 2000, João Paulo II lhes entregou alguns volumes do Vaticano II, afirmando que a doutrina desse Concílio contém tudo o que é necessário para a evangelização do mundo moderno.

O documento do Concílio Vaticano II referente À Bíblia (Dei Verbum) – Palavra de Deus, constituição sobre a Revelação Divina) diz o seguinte: “...o Deus invisível, levado por seu grande amor, fala aos homens como amigo, entretém-se com eles para convidá-los à participação na Sua intimidade” (DV2). Por isso Deus se mistura à vida humana fazendo da realidade concreta o espaço onde Ele se dá a conhecer.

“A Bíblia registra a experiência de Deus que o povo israelita viveu: experiência do “Deus Conosco”, que age na história dos homens, que intervém na economia, na política, nas relações sociais, que manifesta uma particular atenção aos pobres, oprimidos e esquecidos” (Igreja: Comunhão e missão, Doc. 40 da CNBB – 1988, nº 28) . Deus quer estar conosco como exigência de um grande amor, e isso se dá em Jesus e no envio do Espírito Santo que atualiza a presença de Deus na história. Deus vai ás últimas conseqüências para mostrar-se próximo, participante, solidário. Em Sua imensa misericórdia e bondade, enviou livremente ao seio da humanidade, decaída, seu Filho, que, com sua vida, morte e ressurreição, realizou as ações salvífica e se converteu no sacramento do novo encontro com Deus (Ad Gentes 2). Cristo é o autor e o modelo da evangelização (EN 12). De Cristo evangelizador, o caminho conduz, necessariamente à Igreja evangelizadora (EN 6-16). Mediante o envio do Espírito, quis ele que sua obra continuasse na Igreja. Esta, “como sacramento universal da salvação, é enviada por Deus às nações” e é, por conseguinte, “missionária por natureza” (AG 1,2).

Desde o Vat. II introduziu-se na linguagem católica o termo “evangelização” que logo se difundiu e se consolidou no Sínodo dos Bispos de 1974, assim como na exortação apostólica de Paulo VI “Evangelli nuntiandi” (EN) de 8 de dezembro de 1975. O termo “evangelização” enfatiza o objetivo final do envio: a pregação do evangelho no mundo inteiro, a presença da Igreja em nosso mundo sempre em evolução. O Concílio Vaticano II, mostra com clareza e evidencia o lado indissolúvel que existe entre o fato de ser cristão e de se apóstolo. Mostra que se a Igreja é missionária enquanto tal, também todo membro da Igreja tem de ser missionário, tem que dar testemunho diante dos outros.

“Tudo passa por Cristo, que se fez caminho, verdade e vida. Jesus associa seus discípulos à sua própria missão e os manda a todos os povos e a todos os lugares da terra” (Texto-Base do COMLA 5 – 1994, p.16). Os discípulos de Jesus de hoje, continuam sendo chamados a anunciar a boa notícia. Mas o anuncio deve ter mesmo a cara de boa notícia, não de ameaças à identidade das pessoas e dos povos. Anunciar o Evangelho é dar de presente ao outro mais motivos de ter alegria, paz, esperança e se sentir acolhido na grande família de filhos de Deus, onde cabem todos.

A Redemptoris Missio (missão do redentor), carta do papa João Paulo II a todos os católicos (1990), onde o seu título em português resume o assunto nela tratado, a validade permanente do mandato missionário, nos diz: “A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece!... ela constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira, no mundo de hoje, que, apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e de sua própria existência” (RMi 2). “A missão é de todo o povo de Deus... ela composta as mais variadas formas e tarefas de todos os fiéis” – lemos na “Redemptoris Missio” nº 49. Além da dimensão missionária presente em todas as ações da Igreja, a tarefa específica de ir ao encontro do outro com o anuncio do projeto de Deus será exercida em diferentes situações,com diferentes níveis de comprometimento, por todo o povo de Deus.

A Missão salvífica da Igreja e de todos na Igreja não se exerce sempre e em toda parte do mesmo modo. As condições que se realiza pode ser diferentes. Assim, podemos distinguir a atividade missionária, cujo fim verdadeiro e específico é o de evangelizar e implantar a Igreja entre os povos e comunidades onde ela ainda não lançou raízes; a atividade pastoral, que se desenvolve entre os que já crêem em Cristo com o fim de levá-los a uma fé mais profunda, que inspire toda a sua vida e esperança cristã; a atividade ecumênica que aspira a promover o restabelecimento da unidade cristã (AG 6; Unitatis redintegratio 4 (UR)).

Nós estamos numa diocese que se transforma aceleradamente. São muitos os desafios, tanto nos centros urbanos quanto nos rurais. O Fenômeno da urbanização com o inchaço das cidades, um novo modo de viver com novas possibilidades e novos problemas, apresenta desafios para os quais não costumamos estar preparados. As áreas rurais, além das dificuldades naturais, apresentam mudanças de comportamento e características.

Como Igreja Diocesana somos todos chamados a compreender o significado das Santas Missões Populares e a contribuir para a construção de um mundo iluminado pelos valores do Reino. Somos chamados a fazer discípulos. Uma missão especial deixada por Jesus Cristo com o solene envio que Jesus faz em Mt 28. Não é um projeto de dominação, é projeto de construção de fraternidade em comunidade de iguais.


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